sexta-feira, 22 de março de 2013

Coisas que ás vezes padecem de sentido

  
  Olá meus queridos, vou começar por dar asas à minha reatividade, e revoltar-me um bocado. Ora sentem-se confortavelmente e desfrutem.


 Tanto a razão como a vontade são, obviamente, importantes na tomada de decisões éticas e no exercício de auto-controlo.
 Pode-se dizer às pessoas que não devem comer batatas fritas, dar-lhes panfletos sobre a obesidade, passar-lhes sermões admoestando-as a exercer auto-controlo e a não comer as batatas; mas quando o seu eu esfomeado se agiganta, o seu eu bem-intencionado encolhe-se... e elas comem as batatas fritas. A maior parte das dietas falha porque as forças conscientes da razão e da vontade carecem de vigor suficiente para domar conscientemente os impulsos inconscientes.
 Os pregadores lançam jeremíadas sobre os pérfidos adúlteros, mas elas parecem não ter qualquer efeito.
  O auto-controlo tem que ver, sim, com o desencadeamento de processos. Em qualquer momento, decorrem ou podem decorrer operações simultâneas ao nível do inconsciente. As pessoas com auto-controlo e auto-disciplina desenvolvem hábitos e estratégias que desencadeiam processos inconscientes que lhes permitem perceber o mundo de maneira produtiva e persistente. 


   



(Uma pequena divagação):
 Vou ser auto-crítico para ser mais bem aceite pela sociedade e porque denegrir o meu trabalho é uma atividade altamente catita. 
 O que eu acho interessante é que estou para aqui a demonstrar que domino o tema, e o público valoriza e rende-se à minha exposição. Ainda que seja a coisa mais disparatada do mundo. 
 O leitor não faz ideia da alucinante aventura carregada de adrenalina que sinto a cada post que escrevo.
  Mas qual é a receita? Perguntam-me vocês, o emprego de um vasto vocabulário é uma ótima ferramenta para tornar o texto de qualquer post super fluído na sua expressão. Fica então a dica para quem se quer lançar na aventura de ser um Blogger dentro da mediocridade: primeiro passo comecem por ler o dicionário e comer livros ao pequeno-almoço, depois pensem num tema relativamente aviltante, incendiário, que incomode ou que basicamente não faça sentido mas esteja bem escrito, que provavelmente terão alguma adesão. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Desplante


  A atualidade prega-nos partidas destas. Mesmo a atualidade portuguesa, que quase nunca é tão atual como a atualidade que desenvolve a sua atividade lá fora. Um cidadão vive descansado, convencido que se encontra na chamada silly season. 
  O que é curioso e desnorteante é que estamos num claro e inigualável impasse, enquanto Portugueses. Todos os dias parece que assistimos à devastação da nossa identidade cultural, passando esta para segundo plano no pesadelo “ideológico” de medidas políticas e económicas, convocadas para salvar o país de um infortúnio iminente. Isto enquanto se expulsam todos aqueles capazes e dispostos a realizá-lo.
  O valor da metalinguagem vai-se… Assim como a galvanização e a tertúlia. Dando lugar a um desalento permanente, que nos impede de criar e produzir.
  Estamos a ficar moralizados com este mundo mastigado. É necessário despertar as mentes criativas, a criatividade não é para chatos. É para quem tem personalidades inquietas, curiosas e insatisfeitas. Aqueles que são capazes de diluir as perceções sobre as tradicionais fronteiras sociais, donas do status social.
  Os fartos estão fartos e está na hora de erguer a razão e a cultura. Pelejando contra os mensageiros da luso tempestade.
  O presente está impregnado pela nostalgia da anunciada separação. Mas é ao recusar as lágrimas esperadas e as partidas insustentáveis que permitimos às emoções de todos os dias, que não são outra coisas se não uma simples e árida tristeza, que se imiscuam no coração de tudo pela força da persistência e desplanta a nossa criatividade… Deixarás de ser um produto do teu ambiente e o teu ambiente passará a ser um produto de ti mesmo.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Boobs com atum


  Ora boas meus leitõezinhos do esgoto. Tinham saudadinhas? tinham? também não quero saber da vossa opiniao! A minha avó 
diz que sou bonito e é só isso que interessa. Neste momento, estão a ler estas palavras e a pensar se foi mesmo o João que escreveu isto, será que ele estava no cavalo durante o momento em que dactilografou estas preciosas palavras? (ou na vaca, nos dias de hoje  dificil distinguir). Não, o João pediu-me outra colaboração e eu como tinha pouco que fazer, quer dizer até tinha muito que fazer... A net é que estava lenta e decidi abrir outra vez o bloco de notas e colocar-me a escrever o que estou para aqui a pensar. E em que é que estou eu a pensar?
  Várias coisas: primeiro em croissants de amêndoa, depois em como devia de ler um texto do Eisenstein para amanhã em vez disto que estou para aqui a escrever e por fim em pensar seriamente em ver de novo a primeira temporada de pokemon.
  Quando olho para a sociedade parece que as crianças hoje em dia não gostam de coisas como pokemon, e isso desilude-me. 
isto é, não no mau sentido, cada pessoa faz aquilo que bem quiser,somos todos irmãos, agora, um facto é que hoje em dia as crianças e os jovens querem crescer depressa demais. Mas não há necessidade ou haverá? Não sei, eu poderei estar a ser retrógrado e não saber...mas penso: o lugar duma jovem de 13 anos devia ser num sofá a ver a "Bela e o Monstro" ou aquele filme em que a Cameron Diaz e o Ashton Kutcher ganham um prémio a meias em Las Vegas,ao invés do banco do carro de um tipo com 18 ou 19 anos a perguntar: "O que é que eu faço com isto?". Epá desculpem a falta de subtileza, mas esta é a melhor maneira de pôr as coisas. 


  E depois, a certa altura surge a pergunta "Mas porque é que a minha vida tá assim?". Minha amiga, visses a merda da "Bela e o Monstro" que podia ser que tivesse um pouco melhor. Bem agora vais vê-la de qualquer maneira, juntamente com a tua filha. Fui muito forte outra vez...se calhar fui...



  Bela merda que isto está, ainda agora fui ao blog e o João já anda a meter para lá poesias e o caraças, bem hoje vão

ter de gramar com isto. Prometam-me só uma coisa para quando tiverem os vossos descendentes. Se forem rapazes gostaria 
que lhes explicassem porque é que o pikachu nunca está dentro duma pokébola, se forem raparigas porque é que o génio 
não se importaria de ceder a sua liberdade para alladin casar com a princesa jasmine.


  Mais uma coisa, João escolhe um titulo qualquer que eu nunca fui bom com isso.



Tiago Pereira

domingo, 10 de março de 2013

Felicidade Torpe


   Os ventos da vida sopram para todos, e cabe a cada um de nós saber utilizá-los e saber sobrevoá-los… Desculpem o meu subconsciente teve uma profunda incúria.


   Sabem aquele tipo de coisa que até mesmo os ateus colocam as mão a cabeça e gritam “ Oh meu Deus! Oh meu Deus? Pois, é disso que vou falar aqui hoje, e não é, nada mais, nada menos, que a tristeza e preocupação das pessoas. Leitores atentos notaram como cortei radicalmente a forma de escrever melancólica e trágica de há uns posts atrás, para uma escrita encorajadora e cheia de palavras positivistas e agregadoras. A Bipolaridade é uma ferramenta indispensável, mas deixemos isso para abordar num futuro próximo.
   Às vezes quando decido penetrar na pluralidade inequívoca da sociedade noto que as pessoas andam demasiadas preocupadas. Atenção, ter uma preocupação racional é bom, mas esta preocupação que anda na moda agora, chega a ser fastidiosa. Quem nunca experimentou aquele exercício de tortura, que é ver a cara de chateado de um amigo na hora de almoço? Ficamos numa luta incessante a matutar nas nossas mentes: “O que teria levado a comportar-se daquela maneira?”
“Será que tem haver com algo que eu tenha feito?”
   Andamos exageradamente preocupados, e não falo somente de momentos dramáticos, mas do dia-dia das pessoas. Até nos momentos de celebração as pessoas ficam preocupadas.
No dia do casamento, muitos noivos não conseguem desfrutar de um dos dias mais importante da sua vida porque ficam preocupadas se realmente tudo irá dar certo. No dia em que uma pessoa é promovida, frequentemente ela fica tão preocupada em dar conta da função que não comemora a sua vitória.
   A juntar aos momentos dramáticos da vida, como o fim de um grande amor, a perda de uma pessoa querida, a demissão de uma empresa especial ou até mesmo problemas relacionados com a auto-estima  acabamos por adquirir um passaporte certo para o desespero.
   Por favor, quando as vitórias acontecerem, celebrem-nas com muita alegria. Quando os desafios acontecerem, trabalhem arduamente para superá-los. O medo não pode ser um estilo de vida. A angústia tem de deixar de se ser uma sombra e um estado de apreensão constante, que acaba por se tornar num peso bruto que lhe prende as emoções e os simples sorrisos. E que brilho tem a vida sem sorrisos?
   Para mim é a pior doença da humanidade, que muitas vezes paralisa-nos, deitando tudo a perder tornando-se num sofrimento moral intenso.
   Abram os corações e sorriam, não tenham medo! Sorrir não paga imposto.  A solidão será bem mais suportável assim. Subscrevendo as sábias palavras de Rosevelt  “ a única coisa que devemos temer é o próprio medo, a própria insegurança”.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Corresponder-se


 “Olá, como estão? Bem, obrigado.” Em sociedade sempre se está bem. Nesse fugaz intercâmbio de frases breves que são cumprimentos, quase ninguém está realmente interessado em saber como realmente se encontra. É uma atitude que, sendo em geral sensata e justificada, resvala com frequência para o traconismo.

  Por vezes surge me estes pensamentos e quando os partilho acabo por ser vaiado, eu e as pessoas que estão comigo. São vaiadas por afinidade, digamos assim.
  Portanto, procuro uma fuga na escrita. Assumo um papel de melancólico, egocêntrico e ponho-me a caminhar dentro de mim mesmo e a expandir o mundo das minhas ideias. Vou partilhar aqui um desses momentos.

  Escrever… É um torpor horroroso, onde ofuscas a tua dor nas palavras, encerras os teus olhos com lágrimas, sentes cãibras no teu estômago, o teu nariz escorre, o teu corpo treme. É como ter um emprego das nove às cinco mas as horas tendem a ser mais sombrias e sagazes. É saber que a tua face não passa de uma imagem esguia e trivial, estilo simiesco e o teu cabelo é apenas malhas negras sobre o escalpe. Sentes uma grande onda de calor através do corpo, sentes-te como uma estrela de rock, em que os teus pensamentos transformam em bocadinhos loucos, de livre vontade. E, de súbito, és capaz de tudo. A tua alma desprende-se do teu corpo e no final sentes-te atordoado como se saísses de um filme de quatro horas, que não compreenderas...
  Lá fora chove… Chuva, esse bem precioso que parece ficar nas árvores. É bom que haja chuva, limpa o mês, as tuas expressões lamentosas, hipócritas e fúteis. E limpa as ruas de exércitos silenciosos. Abrindo caminho para tu seres livre, para dançar, seres tu mesmo… Até que a dor comece a latejar, como se a melancolia, se apagasse num ímpeto avoado. Um sonho que se esvanece assim que o dia nasce e retomas à tua vida…

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Laboratório de livros


 A verdade é que, se há coisa que nunca muda em toda a história da humanidade, é esta: os adolescentes são parvos em todo o lado. Todos os senhores respeitáveis, já foram, numa dada altura ou noutra, adolescentes parvos.
 Eu por exemplo, sabia tudo aos 15 anos. Afinal de contas, toda a gente sabe tudo aos 15 anos. Só com o passar do tempo se vai descobrindo, com razoável sobressalto, que as certezas vão dando lugar às dúvidas… no fim acabamos por descobrir que não sabemos quase nada.
 Mas como já sou um pseudo adulto e continuo achar-me "chique-esperto", ultimamente tenho andado a pensar escrever um livro de auto- ajuda. Nutro sincero fascínio, pelos indivíduos que o fazem. Também acho interessante poder fazer dinheiro de forma tão rápida e facilmente,  aproveitando-me da depressão e sensibilidade de pessoas alheias. Vou então usar este post como uma cobaia para o meu ensaio.


 O que tem em comum um jovem que bate à porta e grita com a mãe, o executivo que briga com a mulher, o pai que fica acordado até de madrugada à espera que a filha regresse a casa, o desempregado que fica em casa a assistir aos jogos do Benfica na televisão e o empresário que fica com insónias, preocupado com os resultados da empresa?
 Medo, é a resposta. Pois é, noto que vivemos constantemente com medo, há até quem se isole devido ao seu receio e insegurança.
 Marlene é uma jovem do tipo clássico de pessoas que escondem a sua segurança atrás da solidão. Não tem amigos. Vive sozinha no seu apartamento, como se fosse o único lugar do mundo em que poderia sentir-se segura. Para aumentar a sensação de segurança, não atende o telefone e não telefona para as pessoas. Não visita a família porque acha que os familiares só dão trabalho. Não vai a festas porque acha que todos são superficiais e fúteis. Deixou de ir ao cinema porque acha que as pessoas são muito mal-educadas, fazem muito barulho e não têm respeito pelo próximo.
 É uma solidão planeada, mas, mesmo que Marlene não admita, não é uma solidão desejada. É uma solidão imposta a ela por si mesma, por ter medo de se expor e sofrer. A sua desconfiança em relação às pessoas causa tanto medo que o isolamento parece ser a melhor opção. Por detrás de toda a sua solidão, esconde-se um medo que ninguém consegue explicar.
 Quantas pessoas constroem uma muralha ao redor delas, apenas para não correrem o risco de se expor? Nunca saem de casa, ficam o tempo todo na Internet, às vezes têm contactos virtuais, mas pouco contacto real com pessoas.
 A solidão é a expressão do medo de amar. Ele dá-nos a falsa sensação de que temos esse medo controlado, quando na verdade, somos escravos dele.
 Quem ficou interessado, por favor aguarde pela publicação do livro que provavelmente aparecerá por lá, um possível tratamento. Ou então não, porque eu sofro traumaticamente de um dos sete pecados capitais: o ócio.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Os "bonitos" também sofrem


    Bem, isto é muito simples: cheguei a uma conclusão ao fim destes anos de vida, que até pode parecer óbvia, mas ao que parece eu estava em negação… Então é o seguinte:

  As crianças populares, bonitas e atléticas são vítimas de abusos. Sim, e ainda não foi formada nenhuma comissão nacional de luta contra o abuso destas crianças.
  Quando ainda novas e impressionáveis, são alimentadas à força com uma dieta de fábulas de patinhos feios com os quais, compreensivelmente, não podem identificar-se. São obrigadas aturar infindáveis filmes da Disney que lhes dizem que a beleza é interior. No secundário, os professores mais empenhados favorecem os alunos brilhantes, que se tornam ambiciosos através de ressentimentos sociais e que têm tempo, na noite de sábado, para ficar em casa a desenvolver interesse, simpático para os adultos por Miles Davis ou Lou Reed. Pondo em prática a teoria da compensação: se não vou arranjar um parceiro devido a minha beleza exterior, então talvez será melhor desenvolver o meu intelecto e a minha “lábia”.
   Depois de se formarem, aos populares e bonitos restam poucas figuras-modelo além dos apresentadores de televisão, enquanto os marrões podem imitar um sem-número de gigantes brilhantes como Bill Gates, Steve Jobs e Sergey Brin .
Pois, como está escrito, “ os últimos serão os primeiros” e os cromos herdarão a terra.